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Uma cidade vigiada
15/03/2007
As últimas quatro câmeras foram testadas na tarde de ontem. Os oito equipamentos estão prontos para começar a operar. Antes da inauguração do sistema, ON testou a central de monitoramento.
Redação ON e Daniel Bittencourt/ON
Às vésperas de entrar em funcionamento - inauguração oficial está marcada para a terça-feira (20), com a presença do secretário estadual de Segurança, Enio Bacci -, o sistema de câmeras de segurança em Passo Fundo encerrou o período de testes no final da tarde de ontem.
Como quatro câmeras já haviam sido testadas na tarde de terça-feira (13), o trabalho nas quatro últimas foi finalizado. Agora, dos quatro monitores da central de monitoramento, localizada na Sala de Operações da Brigada Militar, é possível acompanhar a movimentação nos oito pontos da cidade - seis no centro e os outros dois mais próximos aos bairros.
Com o treinamento para PMs e agentes de trânsito que atuarão na sala de monitoramento praticamente finalizado, parte da equipe da empresa de Caxias do Sul retorna para a cidade serrana ainda hoje. De acordo com informações da Atlantis, só falta a instalação dos controladores que irão movimentar as câmeras. Os dois equipamentos ficam juntos aos monitores.
O processo de colocação das câmeras iniciou no final de janeiro, quando técnicos vieram à cidade para fazer a última análise do projeto. Em seguida, começaram a mapear o local por onde passariam os mais de 3 mil metros de cabos de fibra ótica.
Um da BM e um da GMT
Pelos testes realizados, dois monitores ficarão sendo observados por um policial militar e os outros dois por um agente de trânsito. A orientação do número de câmeras visíveis em cada monitor ainda não foi decidida. Pela lógica, seriam quatro imagens por monitor.
Apesar de ainda não estar em operação, já há possibilidades de mais equipamentos serem instalados pelas ruas da cidade. O Conselho Municipal de Segurança deverá analisar se mais equipamentos serão instalados em Passo Fundo. Um levantamento feito no ano passado teria apontado a necessidade de mais dez câmeras de vídeo. Regiões como as dos hospitais da Cidade e São Vicente de Paulo, além do acesso à Universidade de Passo Fundo, são alguns dos pontos que podem revelar necessidade de instalação de câmeras. Mas a instalação depende de parcerias.
As mãos por trás das câmeras
As oito câmeras de vigilância que estão instaladas pelas ruas de Passo fundo já estão funcionando. Na tentativa de conferir a eficiência do material, na tarde de ontem, Guilherme Mergen e Daniel Bittencourt, da Redação de ON, foram até o quartel da Brigada Militar ver de perto o resultado de quase um ano de negociações. A central de monitoramento fica em uma sala refrigerada, no último andar do prédio do quartel. Quatro computadores ligados a uma central de processamento de dados são os responsáveis por mostrar as imagens das ruas e avenidas de Passo Fundo.
Fomos com uma idéia na cabeça. Conversamos alguns minutos com o técnico responsável pelos últimos ajustes no equipamento e combinamos estacionar o carro do jornal em uma esquina monitorada, para testarmos o funcionamento do sistema de vigilância. Enquanto Guilherme se dirigia para a esquina da avenida Presidente Vargas com a rua Camilo Rocha, eu fiquei testando algumas das câmeras espalhadas pela cidade, sentindo-me o próprio Big Brother (o do livro de Orwell).
A resolução da imagem é ótima. Na esquina da avenida Brasil com a 7 de Setembro, consegui aproximar a imagem até visualizar a placa de um veículo que estava estacionando perto da rua Paissandu. A qualidade da imagem mostrou claramente o número da placa. Em outra tentativa, dessa vez na câmara do entroncamento entre a rua Capitão Eleutério com a avenida Brasil, foi possível identificar o rosto da pessoa (com detalhes) que estava cruzando a rua.
O manuseio das câmeras não foi difícil. Com o menu todo em português, basta alguns cliques no mouse e pronto, lá está o ponto selecionado.
Alguns minutos depois do teste, avistamos o carro de ON fazer um retorno e estacionar na rua Camilo Rocha. Nesse momento, aproximei o zoom da objetiva da câmera e fiz uma imagem (o programa possibilita a captura de imagens, para poder ter um registro estático do fato, ou ação, efetuado perto da área de cobertura). Com os mínimos detalhes, o carro aparece nitidamente.
O que me deixou pensativo é a questão da invasão de privacidade. Ao invés de direcionar a lente para as ruas, o trânsito e os pedestres, quem estiver operando pode, muito bem, bisbilhotar janelas de prédios e casas que estejam no raio das oito objetivas. O que nos resta, é confiarmos em quem estiver por trás das câmeras, operando, diariamente, nossos passos.
Daniel Bittencourt
Matéria publicada no jornal de Passo Fundo